carlos drummond chimarrao

Poesia de João da Cunha Vargas para o nosso livro de reza

Poesia de João da Cunha Vargas musicada pelo Vitor Ramil

Velho porongo crioulo,
Te conheci no galpão,
Trazendo meu chimarrão
Com cheirinho de fumaça,
Bebida amarga da raça
Que adoça o meu coração.
Bomba de prata cravada,
Junto ao açude do pago,
Quanta china ou índio vago
Da água seu pensamento
De alegria, sofrimento,
De desengano ou afago.
Te vejo na lata de erva
Toda coberta de poeira,
Na mão da china faceira
Ou derredor do fogão,
Debruçado num tição
Ou recostado à chaleira.
Me acotovelo no joelho,
Me sento sobre o garrão
Ao pé do fogo de chão,
Vou repassando a memória
E não encontro na história
Quem te inventou, chimarrão.
Foi índio de pêlo duro,
Quando pisou neste pago,
Louco pra tomar um trago,
Trazia seca a garganta,
Provando a folha da planta,
Foi quem te fez mate-amargo.
Foste bebida selvagem
E hoje és tradição,
E só tu, meu chimarrão,
Que o gaúcho não despreza
Porque és o livro de reza
Que rezo junto ao fogão.
Embora frio ou lavado,
Ou que teu topete desande,
Minha alegria se espande
Ao ver-te assim meu troféu,
Quem te inventou foi pra o céu
E te deixou para o Rio Grande.

BANDEIRA RS

Gauchismo inventado

Imagem de Ilustração: Carla Santos

No livro A Invenção das Tradições, uma coletânea de textos organizada por Eric Hobsbawn e Terence Ranger, há uma distinção entre tradição e costume. Os Costumes são as práticas e hábitos que caracterizam um agrupamento de indivíduos ao longo do tempo. Normalmente, têm forte ligação com o passado, mas não são imutáveis. Continue