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Feriado Nacional

O ano de 2018 será pródigo em feriados prolongados, aqueles que caem numa segunda ou terça; numa quinta ou sexta, e são emendados com o fim de semana mais próximo. Isso é ótimo para quem depende de emprego para ganhar a vida e precisa acordar às seis da manhã e sacolejar por duas horas dentro de um ônibus abarrotado de gente sonolenta. Esse infeliz vivente vai poder dormir até mais tarde, ou até mesmo o dia todo se quiser. Por outro lado, essas regalias do calendário estão tirando o sono da equipe econômica do governo brasileiro, essa turma tão preocupada com o futuro da nação, e que gostaria até de cortar os dias de descanso dos trabalhadores para que o Brasil não pare de produzir, e siga sua missão inevitável de atingir o progresso e o desenvolvimento.

Eu acho que a supressão de alguns períodos de lazer seria uma ótima ideia, afinal essa plebe brasileira já tem uma tendência natural à ociosidade, e um número excessivo de folgas só contribui para incentivar a preguiça. Por isso, venho a público sugerir a eliminação de algumas licenças remuneradas. Para não me acusarem de leviandade justifico minhas escolhas.

REPÚBLICA. Não vejo motivo nenhum para o feriado de 15 de novembro, o Brasil nunca foi uma república. O próprio ato que derrubou a Monarquia e implantou o novo sistema político não passou de uma quartelada. Os oficiais militares, que protagonizaram a aventura, entregaram o poder a uma das facções que já mandavam antes do golpe, e que não fez outra coisa além de cuidar dos próprios interesses em primeiro lugar, e a coisa pública foi simplesmente ignorada. E hoje o poder executivo não passa de uma cleptocracia exercida por uma quadrilha de mercenários e saqueadores que se refugiou no Planalto Central e está vendendo o país no varejo internacional, e embolsando os lucros do negócio. Então, no 15 de novembro vamos todos ao trabalho.

INDEPENDÊNCIA. Esse festejo é um contrassenso. Que eu saiba, o Brasil nunca foi independente. Um país onde o Banco Mundial determina quais as leis devem ser votadas e aprovadas, quem pode ser presidente e quem deve ficar de fora do comando, um país assim pode até se vangloriar de algumas conquistas, mas nunca de soberania. Atualmente, o partido que toma as decisões na Capital Federal não passa de um bando de lacaios a serviço do capital estrangeiro, recebendo polpudas comissões e depósitos em paraísos fiscais. Minha sugestão, corta-se o 7 de setembro.

DIA DO TRABALHO. Comemoração inútil e sem fundamento. Depois da flexibilização da Lei Áurea, que acabou com as garantias sociais do trabalho, nosso contingente produtivo está submetido a um regime escravista, sem a esperança de surgimento de uma nova Princesa Isabel. Então, primeiro de maio, todo mundo no batente.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA. Até agora falei dos dias de repouso no âmbito nacional. Mas aqui no Rio Grande do Sul ainda temos o vinte de setembro, que exalta a capacidade que a gauchada tem de ignorar a história. Trata-se de um episódio bizarro em que um grupo de estancieiros fez cara feia para a Coroa, levou uma surra e até hoje o estado soleniza a data, como se tivesse obtido uma grande vitória. E para completar o quadro de desatinos ainda chamam isso de revolução, e a consequência é mais um dia de trabalho perdido.

TIRADENTES. Talvez o único feriado nacional com algum vestígio de razoabilidade seja o de Tiradentes. Mas não por ele ter dado a vida pela independência do Brasil, porque, como já disse, nesse aspecto foi tudo em vão. A gente poderia ver o famoso dentista por outro ângulo e elegê-lo como um símbolo do povo brasileiro. Ele se meteu a defender a causa de uma elite endinheirada que não queria mais pagar tantos impostos à metrópole, e por desinformação ou ingenuidade, o simples alferes acreditou que a proposta tinha grandes motivos patrióticos, mas na hora de enfrentar o leão, foi jogado na arena sozinho e pagou a conta com a própria vida, pois era o único miserável entre os insurgentes. Como se vê, não é de hoje que os pobres defendem as causas dos ricos e depois arcam com as consequências.

NATAL E SEMANA SANTA. Mas os dias-santos mais ridículos de todos, e também os mais longos, são os religiosos. Nos períodos de Natal e de Semana Santa, além de vários dias sem trabalhar, a cristandade ainda é jogada num clima esquizofrênico de consumo e excessos de comida e bebida, ou seja, mais dívida e aumento de peso, talvez até com diabetes e pressão alta. Sem falar no absurdo de festejar o nascimento, depois a morte, de um personagem fictício, criado pela crendice popular há mais de dois mil anos, e que nunca teve a existência histórica confirmada por uma pesquisa séria. Portanto, nada de dingoubel e nem coelhinho da Páscoa.

Mas eu decretaria o primeiro de abril como feriado nacional, pois a mentira hoje é a principal característica da camarilha que se instalou no Palácio do Planalto. Basta ligar a televisão nos noticiários para constatar a habilidade que essa trupe tem de inventar histórias mirabolantes. Seria um ótimo dia para ficar em casa sem fazer nada, só assistindo televisão e lendo os jornais de maior circulação do pais, uma verdadeira celebração da mentira e da manipulação. Afinal, papel de bobo o brasileiro sabe fazer direitinho. E o ápice da festa solene seria o final do dia, quando as pessoas chegam em casa e se dirigem às suas sacadas ou janelas e marcam a data com uma barulhenta bateção de panelas.

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